Quando esta edição do nosso "Até Que..." sair das impressoras, estará em pleno desdobramento a realização de mais uma "Semana Teológica". Ao longo dos anos, esta se consolidou como o grande matiz do calendário diocesano do mês de julho. Bispo, padres, seminaristas maiores, e também alguns leigos mais familiarizados com a abordagem teológica, passam uma semana juntos para estudos, para atualização e para convivência. Não se trata de um evento com características propriamente "acadêmicas". Embora seja largamente enfocado o aspecto sistemático e bem teorizado, o que se pretende é interpretar com "inteligência de discípulo" o que o presente e o futuro pedem da nossa Igreja diocesana.
Para nós, sacerdotes e pastores, esta "Semana" não se reveste apenas de um valor temático. Ela se inscreve no grande quadro da formação permanente, algo muito salientado nas reflexões oficiais da Igreja nas últimas décadas, pois que o imenso pluralismo cultural e a fragmentação ética dos nossos dias exigem constante atualização. Todavia, embora com linguagem diversa, este aspecto permanente da formação dos pastores do Povo de Deus lança raízes nas primeiras décadas da existência da Igreja. E faz parte da Sagrada Escritura. O autor da segunda epístola a Timóteo, escrevendo em nome de Paulo, recomenda a um dos primeiros bispos da Igreja: "Exorto-te a reavivar o dom de Deus que há em ti..." (2Tm 1,6). Segundo o texto bíblico, o valor da formação permanente deriva da grandeza do "dom de Deus" presente e atuante na figura sacerdotal.
O papa João Paulo II, quando escreveu sobre esta questão, a da formação permanente dos sacerdotes, após aduzir as razões teológicas da mesma, não descurou nem mesmo os motivos "puramente humanos" que solicitam de cada sacerdote ter este cuidado sobre si mesmo. Afirmou: "Esta é uma exigência de sua formação progressiva: cada vida é um caminho incessante em direção à maturidade, e esta passa através da formação contínua... Hoje não existe profissão, compromisso ou trabalho que não exija uma contínua atualização, se quiser ser credível e eficaz. A exigência de acertar o passo com o caminho da História é outra razão humana que justifica a formação permanente" (Pastores Dabo Vobis, 70).
Sempre contamos com a assessoria de especialistas bastante abalizados, para que possamos dispor do melhor disponível nas diferentes áreas da teologia. Neste ano, pudemos contar com um notabilizado pensador sobre Teologia Pastoral. Trata-se de Pe. Agenor Brighenti, professor de teologia em Florianópolis e diretor do Instituto nacional de Pastoral da CNBB. Com rara lucidez ajudou-nos a interpretar o presente e o futuro da nossa Igreja no Brasil. Vivemos em um cenário histórico de muitas mudanças e incertezas. Com incrível facilidade, tudo se mercantiliza, até mesmo Deus e as experiências religiosas e pessoais. Igualmente tudo parece cair em um relativismo desorientador. Valores que antes eram tidos como absolutos, e jamais questionados, hoje já não têm a mesma força. Outros afloraram. Deus, família, amor, ideais... tudo parece restringir-se à esfera do privado. E é para este mundo e cultura que a Igreja se reconhece enviada.
Como anunciar Jesus Cristo, aquele que os evangelhos nos dão a conhecer, em tempos tão fortemente assinalados por "verdades tão múltiplas"? É grande o número de católicos que foram batizados, mas não foram evangelizados. Não são os argumentos que escasseiam, não são as teologias que se mostram insuficientes, não parece que seja somente a falta de meios a tornar difícil a evangelização. Em um tempo de tantas variantes, só é possível evangelizar se, em tudo o que se fizer seja eloquente a experiência de fé e o testemunho do evangelizador. É uma exigência e uma necessidade que a Palavra do Evangelho se torne palavra encarnada na vida daqueles que abraçaram a fé em Jesus Cristo e o anunciam. Se não mostrarmos com nossa vida que é verdade o que professamos e proclamamos, nosso falar religioso parecerá produto de supermercado.
É neste quadro desafiador que o Papa Bento XVI proclamou o Ano Sacerdotal. Em sua intenção, há um anseio de "contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo...". O povo de Deus espera justamente isso de nós, sacerdotes da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.
Dom José Antonio Peruzzo

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