Todos nós sabemos que nossos irmãos crentes nos chamam de idólatras. Ora, idólatra é aquele que adora ídolos. Ídolo é um falso deus. Adorar um ídolo é reconhecer friamente que um objeto, uma imagem, uma escultura é Deus. Isto a Igreja nunca praticou e nem ensinou que se fizesse, nem o poderá praticar.
É, portanto, necessário, neste caso, ter um conceito exato do que é ídolo e do que é adorar. Para isto é necessário não acabar com as frias imagens, mas sim acabar com a ignorância e fanatismo. É preciso recuperar ou criar uma sadia e autêntica consciência cristã através da catequese, da evangelização, do testemunho, de um autêntico conhecimento bíblico.
O que é adorar?
Citemos alguns exemplos bem palpáveis para entendermos a diferença entre adorar (atitude que devemos ter só com de Deus) e venerar ou respeitar algo que simbolize ou retrata uma realidade que nos lembra ou nos aproxima de alguém. A bandeira brasileira, por exemplo, é um símbolo da pátria e todos a respeitamos. Não nos prendemos, todavia, ao pano colorido com a sua possível simbologia, mas indo mais além de sua aparência, buscamos nela a realidade por ela representada, isto é, o Brasil. Mesmo respeitando-a, não a adoramos. Da mesma forma, para alimentar nossa devoção e piedade servimo-nos das imagens que retratam, aproximam-nos e fazem-nos lembrar do nosso Deus, ainda, de alguém como Nossa Senhora, de santos e santas, que viveram e testemunharam sua fé e nos podem servir de exemplos no caminho do seguimento de Cristo.
Quantos monumentos por aí nos lembram os heróis nacionais, os pais da pátria; aliança que simboliza a fidelidade de vida ao casamento; cantores; artistas, outras pessoas de influência chamadas ídolos; ídolos do futebol ou da música, cuja fotografia e imagens andam penduradas em todas as paredes, mas ninguém de bom senso dirá, por isso, que são adoradas, ou que a Bíblia proíbe de fazer tais imagens. Não são certamente objeto de adoração e, sim, símbolos, que exprimem e que nos reportam a uma realidade. Da mesma maneira, temos, desde o começo da Igreja, as imagens sacras que representam e nos lembram Deus Pai, Jesus Cristo, Maria Santíssima, santos e santas. Constituem por isso objeto de adoração? São, por acaso, ídolos?
A Bíblia nos proíbe ter imagens para adorá-las, para considerá-las "deuses", mas certamente não proíbe a imagem pela imagem, pois Deus mesmo ordenou a Moisés que fizesse imagens, como se lê no livro dos Num. 21,8 e Ex. 34,17. Não se entende por que tanta gente faz guerras às imagens, às fotografias, às gravuras. A guerra que deve ser declarada, neste caso, é a guerra ao fanatismo, à ignorância e à incapacidade de discernimento. É preciso distinguir o uso correto das imagens de sua utilização idolátrica, esta, sim, é proibida pela Sagrada Escritura.
Há quem pense que, por se ajoelhar alguém diante da imagem e fazer suas devoções, esteja fazendo um ato de adoração. Nem sempre ajoelhar-se é um fato de adoração, como, aliás, nos mostra a Escritura Sagrada. Veja Mt. 27,29 e ainda Gn 24,11. Ajoelhar-se pode ser e é, muitas vezes, um ato de humildade, de contrição, de respeito. Veja Gn 42, 6; Gn 43,26, Gn 44,14; Js 7,6; 2 Sm 14,5; 2 Sm 14,22; Mt 18, 26; At 16, 29.
Mesmo sendo tão clara a Bíblia acerca do uso das imagens, muitas famílias católicas foram induzidas a deixar a Igreja una e santa por causa daqueles nossos irmãos inoportunos e fundamentalistas, que, simplisticamente afirmam que a Bíblia proíbe as imagens, mas que imagens? Veja Ex 125, 18; 34,17 e Num 21, 8.
É, pois, necessário e urgente que o cristão católico saiba diferenciar o ídolo, que é adorado por si mesmo, da imagem sagrada, que nos recorda uma realidade que está além da própria imagem. É preciso, também, aprender a definir a palavra "adoração", para que assim se evite a confusão e se tenha como responder aos fúteis argumentos com que nossos irmãos não católicos, em nome de um falso zelo, traem a Escritura, interpretando-a mal, para sua "própria condenação".

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